terça-feira, 4 de julho de 2017
quarta-feira, 26 de abril de 2017
O "Deus" de Espinoza
Benedictus de Spinoza (Amsterdã, 24 de Novembro de 1632 — Haia, 21 de Fevereiro de 1677), forma latinizada de Baruch de Spinoza (em hebraico: ברוך שפינוזה), também conhecido por Bento de Espinosa, foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Nasceu nos Países Baixos em uma família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.
No verão de 1656, foi excomungado na Sinagoga Portuguesa de Amsterdão pelas sua críticas à ortodoxia religiosa, defendendo que Deus é o mecanismo imanente da natureza e do universo, e a Bíblia uma obra metafórico-alegórica usada para ensinar a natureza de Deus, duas proposições baseadas numa argumentação cartesiana.
Spinoza era panteísta?
Einstein admirava sua filosofia: "Acredito no Deus de Spinoza, que se revela na harmonia ordenada daquilo que existe, não num Deus que se preocupa com os destinos e as ações dos seres humanos". A única coisa que os críticos teístas entenderam direitinho foi que Einstein não era um deles (teístas). Ele indignou-se muitas vezes com a sugestão de que era teísta. Nem deísta, como Voltaire e Diderot.
Esses termos merecem mesmo esclarecimentos.
TEÍSTA = Deus sobrenatural, ditador e tirano
Um teísta acredita numa inteligência sobrenatural que, além de sua obra principal, a de criar o universo, ainda está presente para supervisionar e influenciar o destino subseqüente de sua criação inicial. Em muitos sistemas teístas de fé, a divindade está intimamente envolvida nas questões humanas. Atende a preces; perdoa ou pune pecados; intervém no mundo realizando milagres; preocupa-se com boas e más ações e sabe quando as fazemos (ou até quando pensamos em fazê-las).
DEÍSTA = Deus sobrenatural e "laissez-faire"
Um deísta também acredita numa inteligência sobrenatural, mas uma inteligência cujas ações limitaram-se a estabelecer as leis que governam o universo. O Deus deísta nunca intervém depois, e certamente não tem interesse específico nas questões humanas.
PANTEÍSTA = Deus natural = natureza
Os panteístas não acreditam num Deus sobrenatural, mas usam a palavra Deus como sinônimo não sobrenatural para a natureza, ou para o universo, ou para a ordem que governa seu funcionamento.
Resumindo: os deístas diferem dos teístas pelo fato de o Deus dos deístas não atender a preces, não estar interessado em pecados ou confissões, não ler nossos pensamentos e não intervir com milagres caprichosos. Os deístas diferem dos panteístas pelo fato de que o Deus deísta é uma espécie de inteligência cósmica, mais que o sinônimo metafórico ou poético dos panteístas para as leis do universo.
Ou seja:
1) O deísmo é um teísmo amenizado.
2) O panteísmo é um ateísmo enfeitado.
Há todos os motivos do mundo para se imaginar que einsteinismos famosos como "Deus é sutil, mas não é malicioso" ou "Ele não joga dados" ou "Deus teve escolha para criar o universo?" sejam panteístas, e não deístas, e certamente não teístas. "Deus não joga dados" deve ser traduzido como "A aleatoriedade não habita o cerne de todas as coisas". "Deus teve escolha para criar o universo?" significa "Teria podido o universo começar de alguma outra forma?". Einstein usou "Deus" num sentido puramente metafórico, poético. Assim como Stephen Hawking, e como a maioria dos físicos que ocasionalmente escorrega e cai na terminologia da metáfora religiosa. "A mente de deus", de Paul Davies, parece estar em algum ponto entre o panteísmo einsteiniano e uma forma obscura de deísmo — pelo qual ele foi agraciado com o prémio Templeton (uma grande soma de dinheiro entregue todo ano pela Fundação Templeton, normalmente para um cientista que esteja disposto a dizer algo de positivo sobre a religião).
O Deus metafórico ou panteísta dos físicos está a anos-luz de distância do Deus intervencionista, milagreiro, telepata, castigador de pecados, atendedor de preces da Bíblia, dos padres, mulás e rabinos, e do linguajar do dia-a-dia.
Confundir os dois deliberadamente é um ato de alta traição intelectual.
No “Livro I da Ética e no Tratado sobre a Religião e o Estado”, o filósofo holandês Baruch Spinoza delineia a sua concepção de um Deus despersonalizado e geométrico, contrária a todas as formas de se conceber Deus como uma espécie de entidade, oculta e transcendente, que age conforme os seus desígnios e a sua vontade suprema.
De uma teoria que não compartilha da ideia de um Deus autocrático, que controla a tudo e a todos, e que se refugia em algum ponto distante da abóbada celeste — segundo a crença comumente aceita e bastante difundida, sobretudo entre os povos e as civilizações de origem indo-europeia. Motivo pelo qual o filósofo Spinoza expôs, assim, em sua obra, a sua definição — considerada por ele a mais adequada —, de Deus, em contraposição a todas as doutrinas e dogmas religiosos até então existentes.
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